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Polícia Civil investiga venda irregular de tomografias no Walfredo Gurgel e afasta cinco servidores
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte deflagrou, nesta quarta-feira 7, a Operação Sine Mora para investigar a comercialização irregular de exames de imagem no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal. A ação teve apoio da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) e cumpriu 15 mandados de busca e apreensão. A Justiça determinou medidas cautelares contra sete investigados, incluindo o afastamento de cinco servidores efetivos de suas funções. Também foram impostas restrições de acesso ao hospital e de contato entre investigados e testemunhas, comparecimento periódico em juízo e proibição de sair da comarca sem autorização judicial. Segundo a Polícia Civil, a investigação aponta a participação de servidores públicos e terceiros em um esquema de facilitação irregular de exames custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante recebimento de vantagens indevidas. Sesap identificou inconsistências nos registros do Walfredo Gurgel A investigação começou a partir de informações encaminhadas pela Sesap sobre inconsistências entre os registros de entrada de pacientes e os exames efetivamente realizados. Também foram identificados atendimentos fora do fluxo regular do hospital. Em nota, a secretaria informou que a apuração envolve possível venda de acesso a exames como tomografias e radiografias. A pasta afirmou que a investigação é anterior à atual gestão da Sesap e da direção do Walfredo Gurgel e contou com a colaboração de ambas. A Sesap também comunicou que os cinco funcionários serão afastados preventivamente da escala do hospital até uma definição posterior sobre o caso. Celulares e documentos foram apreendidos Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos celulares e documentos que serão analisados ao longo da investigação. A nota da Sesap menciona ainda outros equipamentos pessoais e agendas com registros recolhidos de cinco funcionários. O cumprimento dos mandados contou com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio Grande do Norte (Gaeco/MPRN). A expressão latina “Sine Mora” significa “sem demora”. Segundo a Polícia Civil, o nome da operação faz referência à facilitação e à antecipação indevida de exames fora do fluxo regular do serviço público de saúde. Informações que possam ajudar na investigação podem ser repassadas anonimamente pelo Disque Denúncia 181. Do Agora RN
Touros: Liderança de Tiago de Zezinho mostrada nas urnas
No 13° maior colégio eleitoral do RN, o município de Touros com mais de 28 mil votos, a casadinha Nelter Estadual e João Maia Federal encabeçada pelo vereador e Presidente da Câmara, Tiago de Zezinho e várias lideranças do grupo no município, surpreenderam nas eleições deste ano com a disparada de votos. Ficando atrás apenas da chapa do Prefeito Pedro Filho, com Ezequiel Estadual e Robinson Federal. A campanha do deputado Nelter Queiroz em Touros, liderada pelo Vereador Tiago de Zezinho, na terceira eleição consecutiva, sai dos 1.314 votos em 2022, para 2.463 votos em 2026. E o Deputado Federal João Maia que em 2022 recebeu 287 votos, agora com a liderança do vereador Tiago, disparou para os 2.250 votos, comprovando uma casadinha verdadeira. O grupo do vereador Tiago contou com a importante aceitação popular aos candidatos da casadinha, e o apoio político do vereador Dedé da Serra Verde, suplentes de vereador Paulinho de Carnaubinha e Josivan de Zabelê. Também com o apoio da vereadora Ediene de Santa Luzia para os votos de deputado Federal.
Lula cumpre agenda em Natal ao lado de Cadu de Lula neste sábado (10)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, cumpre agenda de campanha em Natal neste sábado (10). Lula participa de ato político ao lado de Cadu de Lula (PT), candidato ao Governo do Rio Grande do Norte no segundo turno. Mobilização será na Zona Norte A mobilização está marcada para as 14h, na Área de Lazer do Panatis, na Zona Norte de Natal.Cadu esteve reunido com Lula na segunda-feira (5), em Brasília, ao lado da governadora Fátima Bezerra, da senadora eleita Samanda de Lula e de Rafael Motta. O encontro ocorreu após a definição do segundo turno das eleições no Rio Grande do Norte.Cadu disputa o Governo do Estado contra Allyson Bezerra (União Brasil). No primeiro turno, Allyson recebeu 733.809 votos, o equivalente a 36,94% dos votos válidos, enquanto Cadu obteve 718.300 votos, ou 36,16%.A diferença entre os dois candidatos foi de 15.509 votos. Lula em Natal A visita de Lula acontece em meio às articulações para o segundo turno tanto no cenário estadual quanto nacional. O presidente também disputa a segunda etapa da eleição presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL). No Rio Grande do Norte, Lula recebeu 1.237.963 votos no primeiro turno, correspondentes a 59,75% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro teve 720.493 votos, ou 34,77%. Ponta Negra News
COLUNA: REFLEXÕES DO MATO GRANDE: Quando a Igreja e a Comunidade Abraçam a EJA
Quando parei para escrever sobre essa temática, lembrei de um pastor, amigo de Aracajú, que numa sexta-feira pela manhã, dia 1º de maio deste ano, me fez uma pergunta muito interessante. Disse ele: “Shalom meu querido, bom dia! Rapaz, como é que eu faço para implantar a EJA na igreja? Tenho uma vontade enorme de ajudar as pessoas a se alfabetizarem. Muita gente já passou dos 40, 50 e não tem nem o ensino médio, nem o ensino fundamental. Eu gostaria de fazer da igreja um polo para ajudar na alfabetização dessas pessoas, você sabe como fazer esse projeto na igreja, esse trabalho lá?” Achei fantástica essa disposição. Falei para ele que uma professora da nossa região, aqui do Mato Grande, tinha feito a mesma pergunta dias atrás: ela quer implantar a EJA no assentamento onde mora. Em relação ao colega de Aracaju, mais uma vez o parabenizei pela iniciativa, pois essa já era a segunda vez que ele tocava no assunto. Abrir esse espaço educacional na comunidade para a modalidade da Educação de Jovens e Adultos significa acolher as pessoas do bairro e também as que já fazem parte da igreja. Em uma outra ocasião, era culto de domingo à noite, também na região do Mato Grande, quando o pastor resolveu fazer algo diferente. Depois da leitura do texto bíblico e de uma palavra sobre “vida abundante”, ele fechou a Bíblia devagar, olhou para a igreja e perguntou: “Quem aqui não conseguiu terminar a escola? Quem ainda tem vontade de voltar a estudar?”. O silêncio durou alguns segundos. Depois, mãos começaram a se levantar, timidamente. Uma mulher que sempre esteve nos bancos da frente, um senhor que toca violão no grupo de louvor, uma jovem mãe, um trabalhador rural. O pastor respirou fundo e disse: “Na próxima semana, nós vamos ter uma reunião aqui na igreja com a escola da comunidade. Quem quiser voltar para estudar pela EJA, venha. Vamos caminhar juntos”.Essa cena ainda é rara, mas poderia ser mais comum no Mato Grande. Em muitos cultos, missas, reuniões de oração, grupos de jovens e encontros comunitários, a fé aparece como consolo para dores que a educação poderia ajudar a transformar. Falamos de esperança, de futuro, de “mudar de vida”, mas nem sempre abrimos espaço para a pergunta concreta: quantos entre nós foram empurrados para fora da escola? Quantos carregam, em silêncio, o desejo de voltar, a vergonha de não ter concluído, o medo de não dar conta? Quantos, como os estudantes da EJA que ouvimos na pesquisa, lutam para conciliar trabalho, família e estudo e precisam de apoio para não desistir? Nos cadernos e avaliações da EJA no Mato Grande, aparecem com força três grandes desafios: cansaço físico após o expediente, transporte precário ou inexistente e preconceito. “Conciliar trabalho, família e estudos”, escreveu Marilene. “Chegar na escola cansado, depois de uma jornada pesada”, registrou outro aluno. “Preconceito e dificuldade em retomar o ritmo de aprendizado após anos fora da escola”, desabafou Geussimaria. Ao mesmo tempo, quando perguntados sobre o que ajuda a não desistir, muitos responderam com palavras que fazem parte do vocabulário da fé: “força de vontade”, “persistência”, “fé”, “sonho”, “vontade de ter uma vida melhor”, “dar orgulho para os filhos”. Essa combinação não é coincidência. Igrejas, grupos de oração, pastorais, movimentos sociais e associações de bairro são espaços onde a esperança é alimentada. Ali se fala de superação, de dignidade, de recomeços. Ali se chora e se abraça, se ora e se aconselha. Mas se a fé fica apenas no consolo e não se traduz em compromisso concreto com o direito à educação, ela se torna incompleta. Amar o próximo inclui também defender a escola que o acolhe, o transporte que o leva, o professor que o ensina, a EJA que o recebe em qualquer idade. Quando a fé abraça a EJA, coisas importantes começam a acontecer. Um grupo de jovens pode se organizar para ajudar adultos com tarefas escolares, informática básica, leitura de textos e preenchimento de formulários. Um missionário pode usar o púlpito para falar de volta à escola como gesto de coragem e de honra, não de vergonha. Uma comunidade pode promover um mutirão de matrícula: escola, igreja, CRAS, associação de moradores e serviço de saúde juntos, de porta em porta, perguntando quem parou de estudar e quem quer voltar. A linguagem muda: em vez de “projeto da prefeitura”, passa a ser “causa da comunidade”. As escolas também precisam aprender a ir aonde o povo está. Não adianta falar de EJA apenas nos murais da secretaria ou em reuniões esporádicas. A direção e os professores podem visitar cultos, missas, feiras, mercados, praças, rodas de conversa, encontros de bairros. Podem apresentar a EJA nas rádios comunitárias, nos grupos de WhatsApp, nos avisos das igrejas. Podem ouvir as lideranças religiosas e comunitárias sobre os medos, as vergonhas e as dificuldades de quem pensa em voltar. A EJA deixa de ser uma sigla distante e passa a ser vista como caminho real de recomeço. Em Parazinho, João Câmara, Jandaíra, Poço Branco e tantas outras cidades do Mato Grande, já existem sinais tímidos dessa aproximação. Professores que participam da vida das comunidades de fé e falam da EJA nas reuniões. Pastores e padres que, ao visitar famílias, não perguntam apenas sobre doença e emprego, mas também sobre escola. Mães que voltam a estudar para acompanhar melhor os filhos e, ao dar testemunho na igreja, inspiram outras mulheres a fazer o mesmo. Jovens que, depois de terminar o ensino médio, ajudam os pais na alfabetização. São gestos pequenos, mas que mostram uma direção: quando igreja e escola caminham juntas, o caminho até a sala de aula fica menos pesado. É claro que há desafios. Nem todas as igrejas se sentem à vontade para aproximar-se da escola, especialmente quando há desconfiança sobre conteúdos, temas ou práticas pedagógicas. Nem todas as escolas sabem dialogar com a linguagem da fé, acostumadas a separar “educação” e “religião” como se fossem mundos que não se tocam. E há, ainda, o risco de


