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Eu me considero um cinéfilo e confesso: houve algo muito particular que me levou a assistir O Agente Secreto, novo filme de Kleber Mendonça Filho. Não foi apenas a curiosidade pelo diretor, recifense como eu, nem o protagonismo de Wagner Moura. O que realmente me puxou para a tela foi o desejo de reencontrar o Recife de 1977, ano em que eu tinha apenas dois anos de idade.
Assistir ao filme foi, antes de tudo, um exercício de memória. A estética, os enquadramentos e os detalhes de cena me transportaram para uma cidade na qual cresci e que, mesmo não plenamente vivida por mim naquele tempo, faz parte da minha formação afetiva. O Cinema São Luís, as margens do Rio Capibaribe na Rua da Aurora, com seu famoso teto estrelado, despertam uma nostalgia imediata e conecta o cinema à experiência pessoal.
O Recife retratado em O Agente Secreto também se revela nos sons e nas referências culturais: o rádio ligado, as matérias do Diário de Pernambuco, a Praça Treze de Maio, o futebol como linguagem popular. Em um diálogo simples — “Se o Santa ganhar, eu pago a cerveja” — o meu Santa Cruz surge como símbolo vivo de uma paisagem social e afetiva que marca a cidade.
Esse conjunto de imagens e referências cria uma atmosfera potente. Mas a pergunta que motiva este texto vai além da memória e da estética: o que O Agente Secreto entrega, de fato, como experiência cinematográfica? Trata-se de um filme para todos ou apenas para quem já entra disposto a decifrá-lo?
Não é um filme de espionagem — e é preciso avisar isso
É preciso dizer com clareza: O Agente Secreto não é um filme de espionagem nos moldes tradicionais. Quem espera ação, perseguições ou um suspense clássico tende a se frustrar. Isso não é exatamente um defeito, mas uma questão de expectativa, já que a proposta do filme é outra.
Kleber Mendonça Filho aposta em um cinema de atmosfera. O que sustenta a narrativa não são grandes acontecimentos, mas o silêncio, os olhares, os espaços vazios e a sensação constante de vigilância. A tensão não explode; ela se acumula lentamente, convidando o espectador à observação.
Essa escolha estética dialoga diretamente com o contexto histórico. O Recife de 1977 não aparece apenas como cenário, mas como expressão de um tempo marcado pela censura, pelo medo e pela desconfiança. O “agente secreto” funciona mais como metáfora de um país vigiado do que como herói de uma trama convencional.
Atmosfera, política e incômodo
É nesse ponto que o filme encontra sua maior força. O Agente Secreto é politicamente contundente sem recorrer a discursos explícitos. A crítica ao autoritarismo e à violência institucional aparece nos gestos mínimos, nos diálogos truncados e na sensação de que algo sempre está prestes a acontecer, mesmo quando nada acontece.
A fotografia, o desenho de som e o ritmo deliberadamente lento reforçam esse incômodo. O espectador não é conduzido pela mão; precisa observar, interpretar e, sobretudo, suportar o desconforto. Trata-se de uma experiência mais sensorial do que narrativa, o que ajuda a explicar por que o filme divide opiniões.
Quando o silêncio pesa mais que a história
Há, no entanto, um risco evidente nesse tipo de proposta: confundir contenção com profundidade. Em alguns momentos, a narrativa se torna rarefeita demais, e o silêncio que inicialmente provoca tensão pode se transformar em distanciamento.
Isso explica a sensação de frustração que presenciei na sala de cinema neste final de semana, em Natal. Pessoas à minha frente e atrás de mim comentavam que “faltou algo” ao final da sessão — um fato que observei claramente. Não se trata de incapacidade de compreensão, mas de uma escolha estética que cobra um preço alto do espectador quando apresentada como unanimidade.
Vale a pena assistir O Agente Secreto?
No fim das contas, a minha resposta é honesta e simples: vale a pena assistir O Agente Secreto se você souber o que está indo ver. Não é um filme para todos, e isso não o diminui. Sua maior virtude talvez seja justamente essa, provocar incômodo, debate e reflexão, sem deixar ninguém completamente indiferente. É um bom filme que virou grande demais no discurso sobre ele. Assista e tire suas próprias conclusões.
Gilberto Cipriano do Nascimento é professor, pesquisador e escritor. Licenciado em História, atua na educação básica e desenvolve reflexões sobre educação, EJA, cultura, fé e sociedade, com foco na realidade do Rio Grande do Norte.
Foto: da Internet

Estudante de Serviço Social, Reporter Fotográfico, Radialista e Jornalista com DRT-RN 711. Fui funcionário das Rádio Baixa Verde-AM, 101 FM, 89 FM e Líder Gospel, tendo iniciado no rádio em 1992. Entrei no mundo virtual e idealizei o Blog do Moisés Araújo, hoje uma das referências de informação entre os internautas da Região do Mato Grande e do estado do Rio Grande do Norte.

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