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COLUNA: REFLEXÕES DO MATO GRANDE Educar é um Ato Político: O Papel do Estado e da Comunidade no Mato Grande
Ainda é madrugada quando o ônibus escolar aparece na curva de barro da comunidade. A estrada, cheia de buracos, faz o veículo chiar e balançar como se reclamasse de tanto abandono. Lá dentro, alguns estudantes tentam cochilar encostados na janela, outros revisam o caderno no sacolejo do caminho. Entre eles, dona Antonieta, de aproximadamente 58 anos, há anos trabalhando de auxiliar de serviços gerais em Natal, teve que renunciar ao seu emprego para cuidar da sua mãe enferma, todos os dias e noites a fio, e ainda encontra forças para concluir os seus estudos em uma das escolas do Mato Grande. “Professor, eu ainda concluo meus estudos, não está sendo fácil, meus filhos estão todos formados, mas eu vou concluir”, diz dona Antonieta. Na mochila, caderno, caneta e, no coração, o sonho de encerrar o seu ensino médio. No olhar, o cansaço de quem já pensou em desistir. Assim é Tatiana, mãe solo, que acorda às cinco horas da manhã, faz o café, arruma os seus três filhos para deixar na escola de tempo integral e corre para passar o dia em casa de família para ter o seu pão nosso. No final do dia, pega os filhos de volta, prepara a janta e corre para a sala de aula à noite, iniciando mais uma jornada da sua vida, vencendo o cansaço e alimentando a esperança de garantir um futuro melhor para eles e, ao mesmo tempo, ser exemplo de superação. Neste período chuvoso, enquanto o ônibus atola mais uma vez trazendo os alunos da zona rural, a pergunta silenciosa volta à cabeça de João: até quando vou dar conta de estudar assim? Essas cenas poderiam ser apenas histórias individuais. Mas não são. Elas conversam diretamente com o que ouvimos na pesquisa com 18 jovens e adultos do Mato Grande sobre ficar ou ir embora. Muitos já precisaram escolher entre o trabalho e a escola, interromper o estudo para garantir o básico, sair da cidade em busca de emprego ou tratamento de saúde. Quase todos disseram acreditar que estudar pode mudar o futuro, e a maioria afirmou que, se pudesse, preferiria permanecer na própria cidade. O desejo de ficar existe. O que falta, muitas vezes, são as condições mínimas. Quando perguntamos o que os faria permanecer com dignidade, as respostas foram quase um coro: trabalho, melhor remuneração, mais oportunidades de emprego, possibilidade de concluir os estudos, saúde, estabilidade para a família. Em outras palavras: políticas públicas que funcionem. Um dos respondentes sintetizou a esperança: “Estudar e me formar, conquistar a minha emancipação e mostrar para a sociedade que através da educação você consegue realizar seus sonhos”. Outro, a frustração: “Nada! Pois aqui não tem recursos”. É nesse ponto que precisamos dar um passo adiante: se a educação é tão decisiva na vida desses jovens, por que ela ainda depende tanto do esforço individual e tão pouco de uma responsabilidade pública concreta? Educar, no Mato Grande, é um ato profundamente político. E aqui é importante dizer o que não estamos falando. Não se trata de defender um partido ou outro, uma bandeira ou outra. Política, neste caso, é aquilo que decide a vida da cidade: onde se investe o dinheiro público, quais prioridades aparecem no orçamento, que obra sai do papel, que escola recebe reforma, qual estrada é consertada, que linha de transporte escolar continua ou é cortada. A Constituição brasileira diz que a educação básica é dever do Estado e direito de todos. Isso significa que transporte escolar, merenda, prédio em condições dignas, professor em sala de aula, material pedagógico e acesso à escola não são favores de gestão alguma: são direitos. Quando um ônibus quebra toda semana e não é substituído, quando a escola funciona em prédio improvisado e insalubre, quando há falta constante de professores, o que está em jogo não é apenas uma falha administrativa — é a negação silenciosa do direito à educação. Por trás de cada escola que falta manutenção, há um orçamento que foi planejado. Dinheiro público não some por mágica, nem aparece por milagre: ele é distribuído de acordo com decisões. Por exemplo, “o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) obteve na Justiça uma decisão obrigando uma das prefeituras da nossa região a regularizar o transporte escolar no município, pois havia irregularidades na frota de veículos que realiza o transporte escolar, trazendo sérios riscos aos estudantes” (Guamaré News). Quando se escolhe investir mais em visibilidade imediata do que em educação, está se dizendo, na prática, quais jovens merecem ter futuro e quais podem continuar na estrada esburacada. As políticas educacionais também revelam essas escolhas. Abrir uma escola é um passo importante, mas insuficiente. É preciso pensar na juventude que trabalha durante o dia e só pode estudar à noite, na mãe que quer voltar a estudar pela Educação de Jovens e Adultos, no jovem que sonha fazer um curso técnico ou chegar à universidade, mas encontra barreiras no caminho. No Rio Grande do Norte, existem políticas importantes voltadas à educação, como a oferta da Educação de Jovens e Adultos integrada à formação profissional em instituições como o IFRN. Também há programas de auxílio transporte e iniciativas de cursinhos preparatórios que ajudam jovens a sonhar com novas oportunidades. No entanto, na prática, muitos desses programas ainda não conseguem alcançar todos os estudantes, especialmente aqueles que vivem na zona rural do Mato Grande. Entre o que existe no papel e o que chega à realidade, ainda há um caminho longo a percorrer. Sem transporte, a matrícula vira um papel sem sentido. Sem merenda de qualidade, a escola deixa de ser também um espaço de segurança alimentar — para muitos estudantes, aquela é a refeição mais certa do dia. Sem infraestrutura básica — telhado que não chove dentro, o que é não é difícil de encontrar, ventilação, banheiro, biblioteca minimamente organizada, acesso à internet — o aprendizado se torna mais difícil, o ambiente mais hostil, e a evasão mais provável. Não é o jovem que “não gosta da escola”; muitas vezes, é a
Capitão Vinicius apresenta Pedro Filho como pré-candidato a deputado federal em Extremoz e reforça crescimento da pré-campanha
A pré-candidatura de Pedro Filho a deputado federal segue em ritmo de expansão no Rio Grande do Norte e ganhou mais um importante impulso neste sábado (25), durante reunião política realizada no município de Extremoz, na Região Metropolitana de Natal. Na ocasião, o Capitão Vinicius, que disputou a Prefeitura de Extremoz nas eleições de 2024, apresentou oficialmente Pedro Filho como seu pré-candidato a deputado federal para o pleito deste ano, consolidando uma parceria política estratégica em um dos municípios mais relevantes da Grande Natal. O encontro reuniu lideranças locais, apoiadores e representantes de diversos segmentos da cidade, fortalecendo a presença de Pedro Filho no município e ampliando sua base política na região metropolitana. Também esteve presente a deputada estadual Eudiane Macedo. Capitão Vinicius é uma das principais lideranças de Extremoz e teve desempenho expressivo na última disputa municipal. A adesão é vista como mais um movimento importante dentro do processo de crescimento da pré-candidatura de Pedro Filho no estado. Atualmente vereador de Assú e líder evangélico no Estado, Pedro Filho agradeceu a confiança e destacou a importância de Extremoz no cenário eleitoral potiguar. Segundo ele, a cidade tem papel estratégico no desenvolvimento da Grande Natal e merece representação comprometida com suas demandas.
ABC vence o Sousa-PB e assume liderança do grupo A8 na série D do Brasileirão
O ABC assumiu a liderança do grupo A8 da Série D do Campeonato Brasileiro após vencer o Sousa-PB por 1 a 0, jogando fora de casa. O único gol da partida disputada no estádio Marizão foi marcado no segundo tempo por João Pedro, após aproveitar o rebote do goleiro do time paraibano em um chute de Wallyson. Foi a quinta vitória seguida do Mais Querido entre partidas da Série D e Copa do Nordeste. Pela Série D, o Alvinegro volta à campo no próximo sábado, dia 2 de maio, em duelo contra o Central-PE, no Frasqueirão, às 17h30. Mas antes recebe o Ferroviário-CE no Frasqueirão, na quarta-feira (29), às 21h30, em jogo válido pela última rodada da primeira fase da Copa do Nordeste. O ABC é o líder do Grupo D, com os mesmos 7 pontos de Retrô-PE e Fortaleza, mas levando vantagem nos critérios de desempate.


