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Quando se fala em educação, muitas vezes pensamos em escolas, salas de aula, cadernos, livros, provas e notas. No entanto, no Mato Grande, a história da educação também é escrita pelos rostos das pessoas que resistem todos os dias para continuar aprendendo. São histórias silenciosas, muitas vezes invisíveis, mas profundamente marcadas pela coragem de quem decidiu não desistir.
Por trás de cada aluno que retorna à escola existe uma trajetória cheia de desafios. Alguns interromperam os estudos ainda muito jovens para trabalhar e ajudar a família. Outros foram afastados pela distância da escola, pelas dificuldades financeiras ou pelas circunstâncias da vida. Anos depois, muitos desses mesmos rostos voltam à sala de aula carregando algo que não aprenderam nos livros: a persistência.
Recentemente ouvi o relato de uma mulher de 43 anos que decidiu voltar a estudar depois de muito tempo longe da escola. Ainda jovem, ela enfrentou situações difíceis dentro da sala de aula. Sentia-se desrespeitada por colegas e não encontrou apoio quando procurou ajuda. Cansada daquele ambiente, acabou desistindo dos estudos.
A vida seguiu por outros caminhos. Durante muitos anos ela trabalhou em casas de família, dedicando sua vida ao trabalho e à sobrevivência cotidiana. O sonho de estudar parecia ter ficado para trás, guardado em algum lugar da memória.
Mas alguns sonhos não desaparecem. Apenas ficam esperando o momento certo para voltar. Hoje, mais de duas décadas depois, ela decidiu recomeçar. Em poucas palavras, resumiu sua esperança: “Se Deus quiser, vou voltar para terminar”.
Histórias como essa não são raras. Pelo contrário, fazem parte da realidade de muitas pessoas no Mato Grande e em tantas outras regiões do Nordeste. A evasão escolar muitas vezes não nasce da falta de vontade de aprender, mas de circunstâncias que afastam os estudantes da escola.
Ao mesmo tempo, também existem histórias de quem descobriu a alegria de aprender já em idade adulta. Não são poucos os casos de homens e mulheres que, pela primeira vez, conseguem escrever o próprio nome, ler um pequeno texto ou compreender aquilo que antes parecia distante demais. Nas turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), cada carteira ocupada à noite carrega um dia inteiro de trabalho, cansaço, mas também de esperança.
Para essas pessoas, aprender não é apenas acumular conhecimento. É recuperar dignidade, autonomia e autoestima. É poder assinar um documento, acompanhar os estudos dos filhos ou simplesmente ler uma mensagem sem depender de ninguém.
Também existem jovens que trabalham durante o dia e chegam à escola à noite trazendo no rosto o cansaço de quem passou horas em atividades pesadas. Mesmo assim, continuam frequentando a sala de aula porque acreditam que a educação pode abrir novos caminhos.
Há ainda mães e pais que, depois de um dia inteiro de trabalho e cuidados com a família, encontram forças para voltar à escola. Muitas vezes, os filhos se tornam testemunhas desse esforço, aprendendo desde cedo que estudar também é um ato de coragem.
Em outra conversa recente, uma mãe solo compartilhou comigo seu dilema. Ela voltou à escola com o sonho de, um dia, cursar Direito. No entanto, já no mês de abril pensava em abandonar novamente os estudos. A razão é dura e simples: precisa viajar para o litoral durante a alta estação para trabalhar como camareira ou garçonete.
Quando perguntei se deixaria o sonho de lado outra vez, respondeu com uma frase que diz muito sobre a realidade de muitos estudantes: “Professor, eu tenho três bocas para alimentar além da minha”.
Essas histórias raramente aparecem em estatísticas ou relatórios oficiais. No entanto, são elas que revelam o verdadeiro sentido da educação em nosso Brasil profundo. Cada estudante que retorna à escola carrega consigo uma história de luta, superação e esperança.
No Mato Grande, a escola não é feita apenas de paredes, carteiras e quadros. Ela é feita de pessoas. Pessoas que resistem, que recomeçam e que continuam acreditando que aprender ainda pode transformar seus caminhos. São esses rostos da resistência que mantêm viva a esperança da educação em nossa região.
Enquanto houver, no Mato Grande, um rosto cansado que ainda assim decide voltar à escola, a esperança da educação não estará perdida. São esses rostos da resistência que mantêm acesa a chama de um futuro diferente.
Sobre o autor
Gilberto Cipriano do Nascimento é professor, pesquisador e escritor. Licenciado em História, atua na educação básica e desenvolve reflexões sobre educação, EJA, cultura, fé e sociedade, com foco na realidade do Rio Grande do Norte.

Estudante de Serviço Social, Reporter Fotográfico, Radialista e Jornalista com DRT-RN 711. Fui funcionário das Rádio Baixa Verde-AM, 101 FM, 89 FM e Líder Gospel, tendo iniciado no rádio em 1992. Entrei no mundo virtual e idealizei o Blog do Moisés Araújo, hoje uma das referências de informação entre os internautas da Região do Mato Grande e do estado do Rio Grande do Norte.

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